Capa Notícias

Entrevistas Realizadas

TERÊNCIO PORTO - diretor do curta "A Última do Amigo da Onça"

Por Clarisse Meireles

Terêncio Porto é diretor do vídeo “TRANSFERÊNCIA”, Premiado no Recine 2004 - Festival Internacional de Cinema de Arquivo - como Melhor Contribuição a Linguagem Cinematográfica -, do curta-metragem de ficção “A Última do Amigo da Onça” e do piloto e dos 3 primeiros programas da série “O Bom Jeitinho Brasileiro”, projeto vencedor do 1º Pitching do Canal Futura em 2005, produzido pela Filmes do Serro, produtora fundada pelo cineasta Joaquim Pedro de Andrade. Foi Coordenador de Produção do Projeto Circuito Novo de Cinema, patrocinado pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, e Assistente de Direção, Produção e Pesquisa da Caliban Produções Cinematográficas, do Diretor Sílvio Tendler. Porto já tem história com o Cinema BR em Movimento. Ele foi agente universitário do projeto em 2003, quando cursava a faculdade de jornalismo na PUC-Rio.

Cine Jornal: Por que o Amigo da Onça? Alguma ligação pessoal com o personagem?
 
TERÊNCIO PORTO: O roteiro me foi dado. Eu conhecia o personagem e sempre tive uma ligação com desenho, desde pequeno. O Ricardo Favilla tinha visto meu primeiro curta - Transferência - 4 minutos - 2003 - Doc - DV - prêmio de Melhor Contribuição a Linguagem Cinematográfica do Festival Internacional de Cinema de Arquivo do Arquivo Nacional - Recine 2004, disponível no site www.portacurtas.com.br - e um dia me apareceu com dois roteiros e me disse para escolher um para eu colocar no edital do Minc como diretor estreante (de ficção / película) e dirigir. Li rapidamente os dois e escolhi o Amigo da Onça, que ele mesmo tinha desenvolvido a partir de uma história em quadrinho original do Ofeliano, quadrinista e um dos maiores storyboarders do Brasil. Depois de ganhar o prêmio e me deparar com a realidade de fazer um filme é que meti as caras na história do Péricles e do Amigo da Onça e me apaixonei pelo personagem. Um dia, já na ralação da produção, tive um insight pensando “como um cara doce com Péricles criou algo tão ácido como O Amigo da Onça, mantendo ele vivo durante tanto tempo?” Ele realmente devia ter uma dificuldade com o mundo, com a realidade, com o cotidiano das relações de trabalho num órgão de imprensa do nível de O Cruzeiro. Devia ser um cético disfarçado, que nunca se adaptou à vida.
 
Cine Jornal: Conte passagens dos dois anos de produção do curta...
 
PORTO: Fizemos o filme com Prêmio do Minc, que na época era de 50 mil reais, depois passou pra 60 mil e agora é 80 mil – ou seja, o Ministério sacou que ficar investindo esse valor, 50 mil, era um risco muito grande, creio, de o realizador começar e morrer na praia... Além desses recursos, investimos dinheiro próprio e no fim grana de cotas (de 250 ou 500 reais) vendidas a amigos, familiares e incentivadores, que cobriu os buracos finais, valores que não tinha como pendurar. Vendi meu carro, o que muitos lamentam, mas não me arrependo nem um pouco. Agora, se você analisar friamente, vai ver que foi a maior loucura fazer esse filme, porque foi em película, é bem complicadinho de filmar – foram quatro dias, um elenco grande, carro de cena, baile, uma noturna, é um filme de época etc – e, o que é bem relevante, eu não tinha nenhuma experiência com direção de ficção nem com atores, nem a menor experiência de set de filmagem – que é a maior loucura – e todo mundo tem que confiar em mim, e confiaram, mesmo sabendo dessas dificuldades todas, e por esse crédito que a equipe e os atores me deram eu sou muito grato.
 
Cine Jornal: O seu primeiro curta, Transferência, era bem mais experimental na linguagem. Houve “truques” para filmar e finalizar A Última do Amigo da Onça com tanto capricho?
 
PORTO: O roteiro que veio a mim era clássico, quase de ferro, e não teve muito como fugir disso, de uma decupagem mais clássica e tudo o mais - trilha, arte, fotografia, montagem etc. Meu primeiro curta – Transferência - foi realmente um début era uma coisa mais de idéias, com quase todas as imagens de arquivo. A grande tacada para o filme ter ficado bonito como ficou foi me cercar de gente especial. O Chico Serra, diretor de produção, a Clara Linhart na assistência de direção, preparando muito bem o chão pra mim, o Rafael Targat, diretor de arte, o Araken Dourado, fotógrafo do filme. A montagem foi feita pelo Eduardo Hartung, com sacadas geniais e uma paciência gigante com o diretor estreante, e depois, por problemas de cronograma, foi concluida pelo Caíto Mainier, que veio enxugar 2 minutos do filme. Isso sem falar no cotidiano companheirismo da Adriana Nolasco, minha mulher, que fez também o Platô (produção de Set), além de ser produtora do filme. Na ultima hora rolou a finalização com o Daniel Leite, da Io Digital Transfer, que com o apoio da Kodak viabilizou o filme em 35 mm, e ficou muito lindo o resultado final, alegrando a toda a equipe.
 
Cine Jornal: Onde foram realizadas e quanto duraram as filmagens?
 
PORTO: Filmamos tudo no Rio, em 3 locações – Gafieira Elite, na Praça da Republica, Rua do Mercado, e a casa de um sujeito apaixonado por coisas de época, que veio quase pronta. Foi tudo em 4 dias, dois na rua e mais um em cada uma das outras locações, o menor dia deve ter sido de 12 horas, sendo que a noturna foi um estupro, no fim o gerador pifou as 4 da manhã e não sei como conseguimos... Acho que concluimos esse dia muito devido a experiencia e o carinho que o Rafael Targat e o Araken tiveram comigo no set, no sentido de serem generosos por acreditaram que eu podia dirigir bem aquele filme, porque curta se faz por amor, e só se faz se você levar fé no projeto e achar que vai ficar bom.

 

 

 


Voltar

Realização:
   

Patrocínio: