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Como e por que Cinema em Movimento?
Idealizado pelo cineasta Alberto Graça e pela produtora Luciana Boal Marinho durante o lançamento do longa-metragem – O Dia da Caça – o projeto Cinema em Movimento foi criado com o objetivo de colaborar com a reversão dos indicadores negativos observados na área de distribuição e acesso da população brasileira aos seus bens audiovisuais. Apesar do notável amadurecimento técnico e estético e do expressivo crescimento de produções a partir de 1995 – a denominada Retomada do Cinema Brasileiro – os brasileiros, seja por questões geográficas ou econômicas, não têm tido acesso a essas obras. Estatísticas demonstram que 92% dos municípios brasileiros não possuem sala de cinema. No ano de 2002, o circuito exibidor de cinema teve apenas 8% de suas telas ocupadas por produções nacionais. A absoluta maioria dos lançamentos comerciais só alcançam as áreas centrais dos grandes eixos urbanos do sudeste e do sul do país, contando ainda com poucos dias de permanência nas salas de cinema. Isto resulta na exclusão da maior parte da população brasileira do acesso aos seus bens artísticos, contribuindo ainda com a formação de uma sociedade balizada por imaginários contendo referências, valores e desejos exógenos.
O início
Desafiados por esta constatação e visando criar uma alternativa eficaz para a difusão de filmes brasileiros ao viabilizar a formação de platéias, o fomento de debates e aumento do raio de alcance das obras produzidas, em maio de 2000, já sob o patrocínio da Petrobras, o Cinema em Movimento incorpora ao seu nome a logomarca da estatal viabilizando os recursos necessários para implantar suas ações em centenas de universidades e comunidades do país através de seus circuitos de exibição.
Os circuitos
Até 2007 o Cinema BR em Movimento era dividido em dois circuitos: o Circuito Cinematográfico Universitário – CCU e o Circuito Cinematográfico Comunitário – CCC.
O CCU atuava em instituições de ensino superior, públicas e privadas, situadas em todo o território nacional. Tendo como objetivo mobilizar um público formador de opinião e introduzir no ambiente acadêmico, reflexão e debates em torno da cinematografia brasileira e das questões por ela abordadas, as exibições realizadas pelo CCU influenciaram, revigoraram e impulsionaram a carreira dos filmes exibidos, aumentando significativamente o número de espectadores e contribuindo para o amadurecimento da educação audiovisual dos estudantes.
O CCC está voltado, prioritariamente, para alcançar o público que não tem acesso às salas de cinema, seja por condições econômicas ou geográficas. O CCC atinge todos os gêneros de platéias, sendo apresentado em praças, associações de moradores e de classe, escolas, agremiações, hospitais, presídios, assentamentos agrários, etc. Geralmente, as sessões são precedidas por eventos culturais organizados pela própria comunidade com o objetivo de contribuir para a difusão cultural dos costumes da região. Nas escolas, muitas vezes são promovidas atividades pedagógicas para estimular o envolvimento dos alunos com os temas dos filmes exibidos.
A rede
Atuando simultaneamente em todos os 8 milhões de km2 do território nacional, o Cinema BR em Movimento é viabilizado através de uma rede composta por agentes culturais, selecionados a partir da relevância do trabalho cultural que desenvolvem junto às suas comunidades. São eles que agendam, organizam e divulgam os filmes exibidos pelo projeto, que tem como um de seus objetivos capacitar e promover a sustentabilidade de profissionais e infra-estruturas da cultura em seu local de origem.
Atualmente cada estado conta com no mínimo um agente cultural, que recebe capacitação e treinamento sobre os conceitos e objetivos do projeto, bem como as tecnologias aplicadas ao seu desenvolvimento, além de metodologias necessárias à execução das tarefas realizadas e todo o conteúdo de exibição, debate, divulgação e pesquisa. Cabe a ele também estimular e fomentar parcerias capazes de ampliar a infra-estrutura do projeto. Suas ações são monitoradas e apoiadas por uma equipe de coordenadores baseada no Rio de Janeiro que através de ferramentas on-line permitem a aferição diária de dados numéricos e analíticos gerados localmente.
Capacitação
Anualmente, são capacitados os agentes que atuarão no projeto. Os agentes do extinto circuito universitário, eram contratados em caráter de estágio, estudantes cursando cadeiras ligadas às áreas de Comunicação ou Cinema e indicados pelas reitorias das universidades parceiras do projeto. Já os agentes do Circuito Comunitário são selecionados de acordo com sua atuação e relevância no trabalho em seus estados.
Estes agentes são capacitados pelo projeto em treinamento que aborda todas as etapas para uma atuação otimizada na execução das ações do Cinema BR em Movimento pelo interior do país como divulgação, produção das sessões e debates e aferição e envio dos dados gerados em cada sessão. Durante o treinamento dos agentes, os filmes a serem trabalhados são exibidos e debatidos com a presença de produtores e realizadores e são sugeridos menu de temas e perfil de debatedores visando aprofundar o debate de cada obra nas sessões promovidas pelos agentes.
O agente cultural recebe um manual de operações detalhando todas as etapas abordadas no treinamento, que lhe serve de guia em suas ações diárias. Também são fornecidos pelo projeto diversos conteúdos teóricos, assim como material de exibição, divulgação e pesquisa. Este treinamento se constitui um guia minucioso de produção de eventos em geral tornando-se uma importante ferramenta na formação e reciclagem profissional destes agentes culturais.
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